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Cerca 30,6 mil presos farão Enem na próxima semana em todo o Brasil

Na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, nove internas concluíram o Ensino Médio e estão prontas para a fazer o exame nos dias 12 e 13 de dezembro
por publicado: 06/12/2017 18h04 última modificação: 06/12/2017 18h32

Renata

Renata Rodrigues concluiu o Ensino Médio dentro da prisão. “Tomamos posse de um bem que jamais nos será tirado”

Brasília, 6/12/17 – O Presídio Feminino do Distrito Federal (PFDF) foi palco de um evento especial nesta quarta-feira (6). Nove internas receberam diploma de conclusão dos estudos durante a festa de formatura do 3º ano do Centro de Educacional 1 de Brasília, que funciona dentro da unidade prisional. Todas farão o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL) nos próximos dias 12 e 13 de dezembro. A prova será aplicada em território nacional. No total, 30.605 pessoas estão inscritas em todo o Brasil – 49 pertencem ao Sistema Penitenciário Federal. 

O Enem PPL é uma das estratégias do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e do Ministério da Educação (MEC) para elevar a escolaridade e o acesso ao ensino superior de pessoas presas. Entre 2011 e 2016, participaram do exame mais de 197 mil pessoas presas. 

As provas aplicadas nas unidades prisionais seguirão as mesmas orientações do exame tradicional para aqueles alunos que buscam acesso ao ensino superior. A diferença é que serão aplicadas durante a semana, nas salas de aula das unidades prisionais de regime fechado e semiaberto que assinaram termo de adesão com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). 

A matrícula em faculdade para aqueles que estão em regime fechado dependerá da ajuda de familiares e amigos, além de autorização judicial e do diretor da unidade prisional. Algumas faculdades possuem convênio e fornecem curso no modo off-line, mas com provas presenciais, aplicadas pelos professores. Nos demais casos, em que o regime de pena é mais flexível, basta a autorização judicial. 

Sonho a caminho
Presa e condenada por tráfico há cinco anos, Renata dos Santos Rodrigues, 24, chegou ao Presídio Feminino do DF com o Ensino Fundamental incompleto. Dentro da prisão, cursou todas as séries que havia deixado para trás. Nesta quarta-feira, ela foi a aluna escolhida para ser oradora da turma. Em sua fala, destacou. “Tomamos posse de um bem que jamais nos será tirado”.

Segundo Renata, a única coisa boa dentro da prisão são os estudos. “Aqui, particularmente, eu não me sinto presa. Com os professores ensinando e conversando, a gente esquece das celas, dos procedimentos de segurança. Nem parece um presidio”, relatou a aluna, que é uma das 41 que farão o Enem na próxima semana. “Se passar, vou fazer Administração”, afirmou.  

A diretora do PFDF, Deuselita Pereira Martin, conta que há 260 vagas na unidade para cursos de Educação Básica. As aulas acontecem durante a semana, nos turnos matutino e vespertino, menos às quintas-feiras, dia de visita. Segundo ela, 15 presas já cursam faculdade de dentro da prisão. Convênio com instituição particular garante aulas não presenciais e provas com dias marcados. Os cursos mais procurados são Administração, Gestão de Pessoas e Contabilidade. 

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